terça-feira, 10 de março de 2009

Práticas de jejum

Práticas de jejum



Não consegue controlar seus instintos quem não sabe renunciar. O jejum é caminho para o crescimento pessoal e faz com que o espírito se sobreponha sobre a carne. Através do jejum, elevamos nosso espírito e, por meio de Cristo, nos é dada a força da vitória.

Todos podem fazer jejum. Todos podem jejuar sem que isso lhes faça mal, mas, pelo contrário, lhes faça bem.

Muitas pessoas não jejuam porque não sabem fazê-lo. Existem várias modalidades de jejum.

Jejum da Igreja

Tipo de jejum prescrito para toda a Igreja e que, por isso, é extremamente simples, podendo ser feito por qualquer pessoa.

Esse modo de jejuar vem da Tradição da Igreja e pode ser praticado por todos sem exceção, sendo esse o motivo porque é prescrito a toda a Igreja.

O básico desse tipo de jejum é que você tome o café da manhã normalmente e depois faça apenas uma refeição, almoço ou jantar, a depender dos seus hábitos, de sua saúde e de seu trabalho. A outra refeição, a que você não vai fazer, será substituída por um lanche simples, de acordo com as suas necessidades.

O conceito de jejum não exige que você passe fome. Jejuar é refrear a nossa gula e disciplinar o nosso comer.

O importante, e aí está a essência do jejum, é a disciplina, é você não comer nada além dessas três refeições.

Nesse tipo de jejum, não se passa fome. Mas como a gente se disciplina; como refreia a gula! E é esta a finalidade do jejum.

Qualquer pessoa pode fazer esse tipo de jejum, mesmo os doentes, porque água e remédios não quebram jejum.

Jejum a pão e água

Nesse tipo de jejum, deve-se comer pão quando se tem fome e beber água quando se tem sede. Apenas isso e nada mais.

Não se trata de comer pão e beber água ao mesmo tempo. Pelo contrario: é preciso evitar isso. Nosso tipo de pão, quando comido com água, geralmente fermenta no estômago, provocando dor de cabeça.

Deve-se beber água várias vezes no decorrer do dia. O organismo precisa de água.

O principal desse tipo de jejum é que você só coma pão e beba apenas água.

Jejum à base de líquidos

Durante todo o seu dia de jejum, você se alimenta somente com líquidos. Essa é uma modalidade muito boa de jejum, que refreia a nossa gula e garante a nossa disciplina.

Tratando-se de líquidos, temos uma grande variedade de opções e de combinações possíveis; todas elas nos mantêm alimentados e bem dispostos sem a quebra do jejum.

Jejum completo

Nesse tipo de jejum, não se come coisa alguma e só se bebe água.

É recomendável que, antes de experimentar essa forma de jejum, você já tenha feito o jejum a pão e água e o jejum à base de líquidos, que podem servir de treino.

No jejum completo, é fundamental beber água várias vezes ao dia.

_________________________

É fundamental ter em mente que não estamos nos submetendo a um teste de resistência. Não precisamos provar nada a ninguém: nem a nós, nem ao Senhor. O objetivo do jejum é nos encontrar com Deus, favorecer a oração e nos disciplinar. Ele serve para nos abrir à Graça da contemplação, da intercessão a da Unção do Espírito Santo.

O jejum nos faz adquirir o domínio sobre nossos instintos e a liberdade de coração (cf. CIC 2043).

O jejum é uma riqueza que precisamos reconquistar. É uma forte expressão da comunidade que decidiu fazer uma conversão, começar uma vida nova.
A Via-Sacra



A devoção da Via Sacra
consiste na oração mental de acompanhar
o Senhor Jesus em seus sofrimentos conhecidos como
a paixão de Nosso Senhor, a partir do Tribunal
de Pilatos até o Monte Calvário.



Esta maneira de meditar teve origem no tempo das
Cruzadas (século X). Os fiéis que
peregrinavam na Terra Santa e visitavam os lugares
sagrados da Paixão de Jesus, continuaram
recordando os passos da Via Dolorosa de Jerusalém.
Em suas pátrias, compartilharam esta devoção
à Paixão. O número de 14 estações
fixou-se no século XVI.



Há muitas meditações da Via
Sacra. Aqui oferecemos uma das versões do
"Guia da Devoção à Misericórdia
Divina", adaptada, e a nova Via-Sacra, apresentada
pelo Papa João Paulo II.




Via-Sacra

"Guia da Devoção à Misericórdia
Divina"



Primeira Estação

Jesus é condenado à morte




V.
Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos

R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.



... Senhor Jesus, por que Vos condenaram à
morte? Que foi que fizestes que merecia a morte?
Curaste doentes, alimentastes famintos, ressuscitastes
os mortos, perdoastes aos pecadores, respeitastes
as autoridades, trabalhastes para o bem da humanidade,
fostes humilde, manso, bondoso, misericordioso.
Por que esta sentença tão cruel e
humilhante?

... O nosso orgulho, inveja, egoísmo, covardia,
comodismo, calúnias, apego exagerado pelas
coisas deste mundo Vos condenaram. Eis aqui o segredo
da injusta sentença. Tenho que perguntar-me:
o que eu fiz com Cristo? Não O condenei,
por acaso, a morrer?

... Cristo, ajudai-me a viver o Vosso Evangelho
até a morte.






A morrer crucificado

teu Jesus é condenado

por teus crimes, pecador (bis).



Segunda Estação


Jesus toma a cruz aos ombros



V.
Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos

R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.



... Cristo, eis a Vossa cruz. Será que esta
cruz é Vossa? Na verdade ela é nossa.
Assumistes a nossa cruz. A grandeza e o peso desta
cruz cresceram dos nossos pecados, que destruíram
a ordem do amor. Todos os pecados do mundo nos Vossos
ombros. O mundo grita, xinga, critica, está
rindo em sua loucura... Cristo sofre e caminha em
silêncio para me salvar.

... Cristo, Vossa Via-sacra foi para mim. Ajudai-me
cada dia, pela manhã, partir para a minha
via-sacra e ficai ao meu lado, porque sou fraco.



Com a cruz é carregado,

e do peso acabrunhado,

vai morrer por teu amor (bis).







Terceira Estação


Jesus cai por terra



V.
Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos

R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.



... As fprças estão se esgotando.
Calor, solidão. A terra parece mover-se.
Cristo tropeça, perde o equilíbrio
e cai. Sente a terra, a poeira na boca. O peso da
cruz o sufoca.

... Nós partimos cheios de confiança
e um dia caímos. Percebemos no nosso caminho
uma flor, uma ilusão e tivemos tanta vontade
de levá-la. Então paramos, traímos
o caminho difícil e ficamos longe do caminho
de Cristo.


... Até quando vou ficar frio e passivo?
Cristo, estou tão longe de Vós. Cristo,
ajudai-me a partir de novo. Protegei-me contra minhas
quedas que cansam e deixam vazio o meu coração.
Quero seguir-Vos. Ajudai-me a levantar-me do meu
pecado.




Pela cruz tão oprimido

cai Jesus desfalecido

pela tua salvação (bis).






Quarta Estação

Jesus encontra-se com Sua Mãe



V.
Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos

R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.



... Quanta dor da Mãe neste encontro. Ela
vai com Seu Filho. Ela vai na multidão despercebida,
preocuapda com seus filhos. Não fala, vai
junto com Jesus, preocupada com todos nós.


... Cristo, mostrai-nos Vossa Mãe humilde
e dolorosa para nos comovermos e nos convertermos.
Ajudai-nos a caminhar juntos com nossos irmãos,
participar dos problemas deles, sofrer com eles
como sofreu Maria -- Vossa e nossa Mãe.











De Maria lacrimosa

no encontro lastimosa,


vê a viva compaixão (bis).





Quinta Estação

Cirineu ajuda a carregar a cruz



V.
Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos


R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.



... Cirineu atravessava o caminho por onde Cristo
carregava a cruz. Pararam-no, o primeiro, desconhecido...
Cristo aceita a ajuda. Aceita uma ajuda forçada
de um homem teimoso. Deus Onipotente e Todo-poderoso
permite que o homem O ajude. Deus precisa de um
homem fraco. Tanta humildade!

... Nós também prcisamos dos outros.
Nosso caminho é também duro e perigoso
demais para podermos vencê-lo sozinhos. E
tantas vezes, orgulhosos, afastamos as mãos
que nos querem ajudar. Mais ainda, pensamos que
Cristo é desnecessário em nossa vida.
Queremos agir sozinhos. Ao lado de mim vai: amigo,
esposa, marido, pai, mão, vizinho, companheiro
do trabalho, irmão desconhecido... não
posso ignorá-los. Todos juntos precisamos
salvar o mundo.

... Cristo, que eu perceba e aceite com humildade
os meus irmãos Cirineus que caminham comigo
e também aqueles que foram forçados
a caminhar comigo.



No caminho do Calvário


um auxílio necessário

recebe do Cirineu (bis).



Sexta Estação

Verônica enxuga o rosto de Jesus



V.
Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos


R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.



... Verônica olhava para Seu rosto. Rosto
sujo, cansado. Cabelos grudados com poeira, sangue
e suor. Estremeceu em si, não podia esperar
mais. Na presença dos soldados e inimigos
enxugou o rosto de Cristo. O rosto doloroso de Cristo
imprimiu-se no pano e no coração.
Precisamos olhar o Cristo, para nos tornarmos um
pouco semelhantes a Ele. Passamos tantas vezes ao
lado de Cristo e nem sequer olhamos para o rosto
dEle. Por isso somos apenas tirstes máscaras
Suas e não temos semelhança com Ele.

... Desculpe, Jesus, os meus impuros olhares. Os
outros não podem ver em mim Vossa luz e Vossa
imagem.

... Desculpe, Jesus, o meu corpo desejoso de prazeres.
Ninguém consegue descobrir em mim um pouco
de Vós.

... Desculpe, Jesus, o meu coração
cheio de ódio e egoísmo. Ninguém
consegue descobrir nele o Vosso amor.


... Ajudai-me, Senhor a ser a Vossa viva imagem.



O Seu rosto ensangüentado

por Verônica enxugado

contemplemos com amor (bis).



Sétima Estação


Jesus cai pela segunda vez



V.
Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos

R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.



... Cristo está no fim das Suas forças.
O peso da cruz, o calor, o caminho em subida,...
as forças se esgotam, o caonsaço cresce.
Cristo cai de novo por terra. São os pecados
horríveis que o oprimem. Tão depresa
acostumo-me a praticar o mal. Falta de fidelidade,
falta de prudência. Não enxergo mais
nada -- só o mal. Procuro o mal. Estou caído,
desanimado. Não vejo os outros no caminho,
meus olhos fechados, meus ouvidos surdos. Mas tenho
medo de ficar assim. Sei que essa não é
a posição digna, humana.

... Cristo, dai a mão a um mísero
caído, levantai-me, sacudi a poeira pecaminosa
dos meus olhos, lavai-me da minha sujeira. Dai-me
novas forças para que eu possa levantar-me
e caminhar ao Calvário da vitória,
a glória final.




Outra vez desfalecido

pelas dores abatido

cai por terra o Salvador (bis).





Oitava Estação


Jesus consola as mulheres piedosas



V.
Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos

R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.



... As mulheres choram, lamentam, vendo Cristo.
Não podem ajudar, limitam-se a chorar. Têm
pena de Cristo.

... Cristo, embora cansado, percebeu-as, ouviu-as.
É mais conveniente chorar os nossos pecados,
porque a causa da via dolorosa de Cristo são
nossos pecados. Dignos de lamentação
somos nós, pecadores.


... Perceber os pecados dos outros é sempre
mais fácil do que chorar os nossos.

... Cada um passa diante do meu tribunal; o mundo
todo -- prefiro jultar os outros do que a mim e
descubro facilmente culpados: bêbados, preguiçosos,
fofoqueiros, falsos, mentirosos, injustos, egoístas
-- só eu o perfeito.

... Cristo, ajudai-me a descobrir uma verdade muito
velha e sempre nova: que sou pecador e isso preciso
lamentar.



Das matronas piedosas

de Sião filhas chorosas


é Jesus consolador (bis).



Nona Estação


Jesus cai pela terceira vez



V.
Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos

R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.




... Cristo cai de novo. Os soldados batem. Cristo
não se mexe. Senhor, morrestes?!

... Ainda não, as forças quase acabaram.
Restou ainda um pedacinho do caminho: dois, três
passos... Neste estado isso é quase impossível.
Senhor, caístes a terceira vez, mas já
no alto do Calvário onde vão levantar
a cruz.

... Eu também caí de novo. Sempre
estou caindo. Às vezes duvido se poderei
levantar-me. Mas vendo-Vos a meu lado, recupero
as minhas forças e certamente vencerei com
Vossa graça.










Cai terceira vez prostrado

pelo peso redobrado

dos pecados e da cruz (bis).



Décima Estação

Jesus é despido das Suas vestes




V.
Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos

R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.



... Cristo não tinha mais nada a não
ser uma veste. Mas isto foi ainda demais. Agora
não existe mais nada entre o corpo de Cristo
e a cruz. Os homens uniram a cruz e o corpo para
sempre.

... Cristo, Vossa veste era comprida, digna da pessoa
humana. Nós precisamos abandonar também
as vezes, vestes provocantes, indecentes, para que
possamos defender nossa dignidade humana.

... Senhor, fazei que morra tudo em mim que ofende
a Vossa santa vontade. Gosto tanto de muitas coisas
pequenas que são minhas, mas se isso for
necessário para viver verdadeiramente, tira
tudo de mim. É melhor morrer, para depois
viver. Assim como o grão que precisa morrer
para dar frutos.




Dos vestidos despojado

por verdugos maltratado

eu Vos vejo, meu Jesus (bis).



Décima Primeira Estação

Jesus é pregado na cruz




V.
Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos

R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.



... Cristo estendido na cruz, cobre-a perfeitamente
para ser unido perfeitamente a ela. Os pregos atravessam
o corpo. Cristo permite que o homem apanhe brutalmente
as mãos e os pés dEle e pregue na
cruz. Agora nenhum movimento é possível.

... Nós também precisamos aceitar
a nossa cruz na hora presente. Não podemos
escolher. Temos que aceitar a nossa cruz. Ela é
pronta, feita para meu tamanho, feita dos meus sofrimentos.
Temos que apegar-nos a ela.

... Isto não é fácil. Mas não
posso encontrar o Cristo de outra maneira. Cristo
espera por mim na cruz para, junto com Ele, redimir
o mundo, nossos irmãos.








Foi Jesus na cruz pregado

insultado, blasfemado

com cegueira e com furor (bis).






Décima Segunda
Estação


Jesus morre na cruz



V.
Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos

R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.




... As três horas de agonia são tão
compridas, parecem sem fim. Mas compridas do que
três anos, do que trinta anos de vida. Tudo
preparado. Cristo morre. A vida pára, o coração
não bate mais. O Coração grande
como o mundo -- o mundo de pecados que carrega em
si.

... O mundo talvez ainda não saiba, mas,
inconscientemente, estende os braços gritando:
"salvai-nos, salvai-nos, Senhor, não
podemos mais viver assim, tirai-nos do pecado".

... Quando eu morrer, Cristo, deixai-me entregar
o meu coração a Vós, morrer
para Vós, para viver em Vós.










Meu Jesus, por nós morrestes,

por meus crimes padecestes,

como é grande a minha dor (bis).



Décima Terceira Estação

O corpo de Jesus é depositado nos braços
da Mãe




V.
Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos

R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.



... A Vossa obra, Cristo, é consumada. os
pregos são desnecessários. Agora podeis
descer e descansar. Devagarinho descem-no da cruz.
A Mãe recolhe-O nos seu braços. Tanta
dor atravessou a sua alma, mas agora...

... Nós também estamos cansados, vamos
adormecer um dia para sempre. Mas em que estado
vamos morrer?

... Nossa Mãe: vigiai sobre nós cada
noite. Tomai-nos nos Vossos braços na última
hora, não largueis-nos nunca, por favor.
Não esqueçais de nós, pois
sois o "Refúgio dos pecadores".












Do madeiro Vos tiraram

e à Mãe Vos entregaram

com que dor e compaixão (bis).




Décima Quarta Estação

Jesus é depositado no sepulcro



V.
Nós Vos adoramos, Senhor Jesus e Vos bendizemos

R. Porque pela Vossa santa cruz remistes o mundo.




... Cristo é depositado no sepulcro. Na
entrada, uma grande pedra. Os amigos não
podem mais ajudar. Resta a esperança na ressurreição.

... Nossa ressurreição será
no fim do caminho. Embora o caminho seja difícil,
sabemos que Cristo espera por nós na Sua
glória.

... Senhor, ajudai-nos a atravessar este caminho
fielmente.


















No sepulcro Vos deixaram,

enterrando-Vos choraram,

magoado o coração (bis).  




A Via-Sacra segundo os Evangelhos



O Santo Padre João Paulo II introduziu nova
seqüência das cenas na Via Sacra que
promove no Coliseu, em Roma, optando pelas narrações
dos Evangelistas. É esta sucessão
que estamos propondo aqui, com as próprias
palavras da Sagrada Escritura.



As novas Estações são:




1. Jesus ora no Horto de Getsêmani,
Monte das Oliveiras

Mt 26,36-46; Mc 14,32; Lc 22,39; Jo 18,1



2. Jesus, traído por Judas,
é aprisionado

Mt 26,47-56; Mc 14,43; Lc 22,47; Jo 18,2




3. A condenação de
Jesus perante o Sinédrio

Mt 26,57-66; Mc 14,53; Lc 22,54; Jo 18,19



4. As negações do
Apóstolo Pedro

Mt 26,69-75; Mc 14,66; Lc 22,55; Jo 18,15




5. Jesus entregue a Pilatos

Jo 18,28; Mt 27,11; Mc 15,2; Lc 23,2



6. A flagelação e
a coroação de espinhos de Jesus. Ludíbrio.


Jo 19,1; Mt 27,24; Mc 15,15; Lc 23,24



7. Jesus carrega a Cruz

Lc 22,26; Mt 27,31; Mc 15,20; Jo 19,16



8. Jesus e Simão Cirineu


Lc 22,26; Mt 27,32; Mc 15,21



9. O encontro de Jesus com as mulheres
de Jerusalém

Lc 22,27; Mt 27,33



10. A crucificação
de Jesus


Jo 19,18; Mt 27,35; Mc 15,24; Lc 23,33



11. Jesus e o bom ladrão

Lc 23,35; Mt 27,39; Mc 15,29; Lc 23,35



12. Maria Santíssima e o
Apóstolo João ao pé da Cruz
de Jesus


Jo 19,25-27



13. A morte de Jesus

Mt 27,45; Mc 15,33; Lc 23,44; Jo 19,28



14. Jesus deposto no sepulcro


Mc 15,42; Mt 27,57; Lc 23,50; Jo 19,38

Tempo da Quaresma

Tempo da Quaresma



Na linguagem corrente, a Quaresma abrange os dias que vão da Quarta-feira de Cinzas até ao Sábado Santo. Contudo, a liturgia propriamente quaresmal começa com o primeiro Domingo da Quaresma e termina com o sábado antes do Domingo da Paixão.

A Quaresma pode se considerar, no ano litúrgico, o tempo mais rico de ensinamentos. Lembra o retiro de Moisés, o longo jejum do profeta Elias e do Salvador. Foi instituída como preparação para o Mistério Pascal, que compreende a Paixão e Morte (Sexta-feira Santa), a Sepultura (Sábado Santo) e a Ressurreição de Jesus Cristo (Domingo e Oitava da Páscoa).

Data dos tempos apostólicos a Quaresma como sinônimo de jejum observado por devoção individual na Sexta-feira e Sábado Santos, e logo estendido a toda a Semana Santa. Na segunda metade do século II, a exemplo de outras igrejas, Roma introduziu a observância quaresmal em preparação para a Páscoa, limitando porém o jejum a três semanas somente: a primeira e quarta da atual Quaresma e a Semana Santa.

A verdadeira Quaresma com os quarenta dias de jejum e abstinência de carne, data do início do século IV, e acredita-se que, para essa instituição, tenham influído o catecumenato e a disciplina da penitência pública.

O jejum consistia originariamente numa única refeição tomada à tardinha; por volta do século XV tornou-se uso comum o almoço ao meio-dia. Com o correr dos tempos, verificou-se que era demasiado penosa a espera de vinte e quatro horas; foi-se por isso introduzindo o uso de se tomar alguma coisa à tarde, e logo mais também pela manhã, costume que vigora ainda hoje. O jejum atual, portanto, consiste em tomar uma só refeição diária completa, na hora de costume: pela manhã, ao meio-dia ou à tarde, com duas refeições leves no restante do dia.

A Igreja prescreve, além do jejum, também a abstinência de carne, que consiste em não comer carne ou derivados, em alguns dias do ano, que variam conforme determinação dos bispos locais.

No Brasil são dias de jejum e abstinência a quarta-feira de cinzas e a sexta-feira santa. Por determinação do episcopado brasileiro, nas sextas-feiras do ano (inclusive as da Quaresma, exceto a Sexta-feira Santa) fica a abstinência comutada em outras formas de penitência.

Praticar a abstinência é privar-se de algo, não só de carne. Por exemplo, se temos o hábito diário de assistir televisão, fumar, etc, vale o sacrifício de abster-se destes itens nesses dias. A obrigação de se abster de carne começa aos 15 anos. A obrigação de jejuar, limitando-se a uma refeição principal e a duas mais ligeiras no decurso do dia, vai dos 21 aos 59 anos. Quem está doente (isto também vale para as mulheres grávidas) não está obrigado a jejuar.

“Todos pecamos, e todos precisamos fazer penitência”, afirma São Paulo. A penitência é uma virtude sobrenatural intimamente ligada à virtude da justiça, que “dá a cada um o que lhe pertence”: de fato, a penitência tende a reparar os pecados, que são ultrajes a Deus, e por isso dívidas contraídas com a justiça divina, que requer a devida reparação e resgate. Portanto, a penitência inclina o pecador a detestar o pecado, a repará-lo dignamente e a evitá-lo no futuro.

A obrigatoriedade da penitência nasce de quatro motivos principais, a saber:

1º - Do dever de justiça para com Deus, a quem devemos honra e glória, o que lhe negamos com o nosso pecado;

2º- da nossa incorporação com Cristo, o qual, inocente, expiou os nossos pecados; nós, culpados, devemos associar-nos a ele, no Sacrifício da Cruz, com generosidade e verdadeiro espírito de reparação.

3º- Do dever de caridade para com nós mesmos, que precisamos descontar as penas merecidas com os nossos pecados e que devemos, com o sacrifício, esforçar-nos por dirigir para o bem as nossas inclinações, que tentam arrastar-nos para o mal;

4º- do dever de caridade para com o nosso próximo, que sofreu o mau exemplo de nossos pecados, os quais, além disso, lhe impediram de receber, em maior escala, os benefícios espirituais da Comunhão dos Santos.

Vê-se daí quão útil para o pecador aproveitar o tempo da Quaresma para multiplicar suas boas obras, e assim dispor-se para a conversão.

Segundo os Santos Padres, a Quaresma é um período de renovação espiritual, de vida cristã mais intensa e de destruição do pecado, para uma ressurreição espiritual, que marque na Páscoa o reinício de uma vida nova em Cristo ressuscitado.

A Quaresma tem por escopo primordial incitar-nos à oração, à instrução religiosa, ao sacrifício e à caridade fraterna. Recomenda-se por isso a freqüência às pregações quaresmais, a leitura espiritual diária, particularmente da Paixão de Cristo, no Evangelho ou em outro livro de meditação.

O jejum e abstinência de carne se fazem para que nos lembremos de mortificar os nossos sentidos, orientando-os particularmente ao sincero arrependimento e emenda de nossos pecados.

A caridade fraterna — base do Cristianismo — inclui a esmola e todas as obras de misericórdia espirituais e corporais.
Quais são as Obras de Misericórdia?
Corporais

Espirituais
1. Dar de comer a quem tem fome.
2. Dar de beber a quem tem sede.
3. Vestir os nus
4. Dar pousada aos peregrinos
5. Assistir aos enfermos.
6. Visitar os presos.
7. Enterrar os mortos. 1. Dar bom conselho.
2. Ensinar os ignorantes.
3. Corrigir os que erram.
4. Consolar os tristes.
5. Perdoar as injúrias.
6. Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo.
7. Rogar a Deus por vivos e defuntos.

Fonte: Missal Romano

Quaresma

Quaresma


A Liturgia tradicional da Igreja chama de “tempo de salvação”, o tempo quaresmal. Convida-nos assim à reflexão, sobre o fim e conteúdo da Quaresma. A Quaresma visa preparar os fiéis a bem celebrar a Páscoa. E como a Ressurreição gloriosa de Jesus Cristo – a nossa Páscoa – é conseqüência de sua ignominiosa morte, dos sofrimentos e humilhações de sua Paixão, a Quaresma é iluminada pela Cruz de Jesus Cristo. – Dizemos “iluminada”, porque Jesus Cristo crucificado é a explicação de toda a História da Humanidade. Ele é, pois, a luz que nos ilumina e faz entender os enigmas que pontilham a trajetória do Gênero Humano.

Egoísmo e Misericórdia

Pis, a cruz de Jesus Cristo nos fala da rebeldia do homem, cuja insensatez o Sacrifício do Filho de Deus Encarnado veio reparar. A soberba treslouca do primeiro homem levou-o a pretender para si os atributos divinos. Ele seria o senhor, até mesmo da ordem moral. A ninguém obedeceria. Seria o árbitro do bem e do mal. “Sereis como deuses” disse o tentador ao primeiro casal, dominando o bem e o mal”. Este egoísmo delirante deixou uma tara em toda a progênie humana, geradora dos males que afligem os homens e a sociedade. – neste mundo, assim infeccionado, desceu a Misericórdia Divina, com a Incarnação do Filho de Deus. E ficou a História uma mistura de bem e mal. Os males, que nela registramos, ou são pecado ou fruto do pecado. Ou são as penas, que sobre os homens pesam, como castigo do pecado; ou são, em si mesmos, ofensas, conscientes à Majestade de Deus. – Ao lado de tais misérias humanas, há coisas belas, bem ordenadas, tanto na ordem da natureza, como no campo moral. São frutos da Graça, são merecimentos da sacrossanta Paixão e Morte de Jesus Cristo, que veio para reparar a rebeldia humana e salvar as almas.

A Quaresma aviva a Fé nestas verdades fundamentais da História humana.

Penitência e Oração

Por isso, é a Quaresma tempo salutar. Pois, convida-nos à penitência, à mortificação dos sentidos, que satisfaz pelos pecados e fortalece a vontade contra as inclinações más de nossa natureza decaída, e alimenta a esperança, que confia na graça, sem a qual nada se pode fazer.

A Via Sacra

A melhor maneira de aproveitar bem o tempo quaresma, é o exercício consciente e vivificante da “Via Sacra”. Com efeito, este piedoso e tradicional exercício, que nos une a Jesus Cristo, no doloroso caminho, por Ele percorrido, ao seguir para o Calvário, onde seria imolado por nossos pecados.

1. Excita em nós a gratidão, diante do amor, inefavelmente generoso e misteriosamente misericordioso, com que Jesus nos remiu. Es a gratidão é o penhor das graças de Deus, segundo a recomendação do Apóstolo, cheguem nossas petições ao conhecimento de Deus, envoltas na ação de graças (F 2, 4-6).

2. Mostra, ao vivo, a malícia enorme do pecado. Se para repará-lo teve o Filho bem amado do Padre Eterno que sofrer toda crueldade feroz, com que foi tratado na sua paixão, e todas as profundas humilhações a que o submeteu o ódio e a inveja de seus inimigos, é sinal de que realmente a malícia do pecado é algo tão monstruoso que atinge às raias do mistério. Por isso, pergunta o profeta: quem entenderá o pecado (Sal. 18,13)?

3. A malícia do pecado e o inefável amor que Jesus nos demonstra na sua paixão desperta em nós o desejo de repararmos, nós também nossas infidelidades e de cooperarmos com Jesus Cristo na salvação das almas. Daí o benefício da Via Sacra: predispõe-nos a imitar a Jesus Cristo, na sua humildade e nos seus padecimentos. Faz-nos aceitar e mesmo procurar a mortificação dos sentidos, de nossa gula, de nossas comodidades, e sobretudo de nossa vontade que nos torna mais submissos a Deus e aos nossos superiores por amor de Deus.

Assim, com a “Via Sacra”, meditada e vivida, a Quaresma opera a nossa conversão e nos prepara para as puras alegrias da Santa Páscoa.

+(a) Dom Antonio de Castro Mayer, Bispo de Campos

Quaresma caminho para a Páscoa

Quaresma caminho para a Páscoa


A grande meta da quaresma é a Páscoa - festa central do cristianismo, ponto alto do ano litúrgico. Neste tempo assumimos percorrer com Jesus, o caminho da provação e da cruz e vamos recebendo a força e a alegria do seu Espírito para proclamarmos a vitória da vida, enquanto lutamos contra todas as forças de violência, de injustiça e morte que, dolorosamente persistem no mundo. Cada celebração, deve ser uma forte experiência desta caminhada pascal, para que possamos fazer de nossa vida uma páscoa contínua.

1. Caminhada catecumenal: A quaresma é, por excelência , um tempo batismal. A liturgia da Palavra da quaresma do Ano A (2002) constitui-se num valioso itinerário de fé e adesão crescente,consciente e livre, ao projeto de Jesus. Nos dois primeiros domingos, a liturgia apresenta Jesus como aquele que vence o mal, e por isso é glorificado por Deus no Tabor, antes mesmo de Ele enfrentar a"hora das trevas" e, nos outros domingos, as grandes "catequeses batismais"de João ( cap.4, 9 e 11).As primeiras leituras, com textos do AT narram fatos significativos da História da Salvação( pecado de Adão, vocação de Abraão, Moisés e a água da rocha, Davi e a visão dos ossos em Ezequiel) e formam um todo catequético em sintonia com os evangelhos. Com textos de grande valor teológico das cartas de Paulo, as segundas leituras também apresentam certa ligação com as primeiras leituras e os evangelhos.Nossa vida torna-se , então, uma oferta de louvor, um sacrifício espiritual que apresentamos continuamente ao Pai , em união com Jesus, o servo pobre e sofredor.E, assim, por ele, com ele e nele o Pai seja louvado e glorificado.

2. Caminhada de conversão: Mais do que uma simples preparação da Páscoa , a quaresma constitui-se um ensaio da vida nova no Espírito:

tempo de romper com todas as expressões de mal que existem em nós, sepultando o "homem velho";

tempo de abrir-nos à Vida sempre nova que brota da Cruz; tempo de nos tornar uma nova criatura, revestindo-nos de Jesus Cristo;

tempo de nos converter ao projeto de Deus, ouvindo e acolhendo sua Palavra, que nos propõe "buscar primeiro o Reino de Deus e a sua justiça"(Mt 6,33);

tempo de renovar e reavivar a opção de nossa fé feita em nosso batismo, no desejo de um novo recomeço no seguimento como discípulos do Senhor. Dedicando mais tempo e densidade à oração tanto pessoal quanto comunitária fortalecendo as razões de nossa esperança.

Tomando uma atitude contra o consumismo, assumimos o jejum do autodomínio sobre nossa alimentação, nossas palavras, nossos sentimentos.E, sobretudo, com a prática do jejum verdadeiro, ou seja, a prática da justiça e da misericórdia, base da verdadeira oração, retomamos o compromisso de "volta ao primeiro amor" (Ap 2,4), na relação de aliança com Deus.

3. Conversão para a fraternidade: Como passo fundamental na caminhada pascal, a dimensão comunitária da quaresma é assumida por nós pela 39 Campanha da Fraternidade:"por uma terra sem males": que sempre nos pede conversão e solidariedade em situações bem concretas de nossa realidade. " A solidariedade é para os povos o que a ternura é para as pessoas" ( D. Pedro Casaldáliga). Este ano, numa busca de coerência evangélica diante dos 500 anos de evangelização no Brasil , há pouco celebrados, a Igreja nos convida a colocar a fraternidade a serviço da vida e da dignidade dos povos indígenas de quem " nós podemos também aprender o sentido comunitário da vida, a valorização da terra como fonte de recursos e sobrevivência humana, o estilo de vida sóbria e solidária... É um convite a todos os cristãos para engajarem-se na esperançosa luta pela conquista e garantia dos direitos dos povos indígenas. É também uma oportunidade para compartilharmos valores,sabedoria, conhecimentos e formas de ver a realidade" (cf. Texto base CF/02).

4. Sugestões pastorais para as equipes de celebração:

Preparar o ambiente da celebração dentro de certa sobriedade: cor roxa para as vestes litúrgicas e a ornamentação da mesa da Palavra e do altar, sem flores e sem o canto do Glória e do Aleluia, o que não significa tristeza, mas um "concentrar de energias para o grande dia". O cartaz da CF/02, poderá ser ampliado e colocado em lugar de destaque, junto à cruz. Evitar pregá-lo na estante da Palavra ou no altar.

A cruz também ganha destaque e, seria bom, que ela fosse entronizada solenemente, incensada em cada celebração, ocupasse um lugar permanente e bem visível durante a quaresma e, a cada domingo enriquecida com símbolos ou ações simbólicas ligadas aos textos bíblicos ou ao tema da CF/02.

Durante a quaresma, o ato penitencial poderá receber também um destaque maior como anúncio da misericórdia de Deus e de apelo à conversão, ligado com a realidade da comunidade e a situação dos povos indígenas É bom fazê-lo diante da cruz e usar gestos, com: ajoelhar-se, inclinar-se ou o rito da aspersão, acompanhado de refrões ou cantos apropriados.Nas celebrações da Palavra, o ato penitencial, em alguns domingos, poderá ser feito após a homilia, como resposta à interpelação que a Palavra de Deus faz. Ritualizar bem a entrada da Bíblia, a proclamação das leituras, o canto do salmo e da aclamação ao evangelho.Há símbolos batismais importantes que os próprios textos Bíblicos sugerem em alguns domingos, como cruz, água,luz profissão de fé.....e que serão retomados com toda intensidade na Vigília Pascal.

O momento mais indicado pela Oração da Campanha da Fraternidade é nas preces dos fiéis, podendo ser intercalada com um refrão apropriado.

Toda esta vivência quaresmal só terá sentido como preparação da páscoa, com as celebrações do Tríduo Pascal e sobretudo da Vigília pascal, a "mãe de todas as vigílias", que por ser tão importante merece ser cuidadosamente preparada para que a páscoa do ano 2002, seja profundamente vivida pala comunidade, "como festa verdadeira e acontecimento inesquecível" !

"Celebremos a Páscoa, não com o velho fermento, nem com o fermento da malícia e da perversidade, mas com os pães sem fermento, isto é, na pureza e na verdade" ( 1 Cor 5,8).

Padre Gian Luigi Morgano

Jejum e abstinência

Jejum e abstinência



Quando iniciamos a Quaresma, na Quarta-feira de Cinzas recebendo-as sobre as nossas cabeças como sinal de reconhecimento do nosso pecado e a necessidade de conversão, a Palavra de Deus nos lembrava do jejum, esmola e oração (Mt 6, 1-6.16-18).

“Quando jejuares perfuma a cabeça e lava o rosto...e o teu Pai que vê o que está escondido, te dará a recompensa. Encontramos também Jesus lembrando que “quando o esposo for tirado, então jejuarão”, na clara alusão tanto à Sexta-feira Santa, como também à nossa separação d’Ele pelo pecado.

O apelo de Cristo visa a nossa mudança interior, à transformação de nossas vidas, à conversão do coração e à penitência interior, reorientando nossa vida para Deus e rompendo com o pecado. É a busca de acolher o coração novo! Para isso as atitudes de reconciliação, cuidado dos necessitados, confissão de nossas faltas, revisão de vida e outras atitudes nos ajudam, assim como algumas atitudes que fazem o nosso corpo também participar dessa renovação espiritual.

Somos chamados a sempre buscar uma vida de conversão, e, para isso, ao acolher a graça de Deus ter também práticas de ascese que nos ajudem nessa caminhada. “O Cristão é, de modos e formas diferentes, asceta e místico, virtuoso e espiritual ao mesmo tempo, operante por capacidade própria e dirigido pelo influxo do Espírito do Ressuscitado. Com esse princípio, a vida cristã propõe também uma ascese que se funda na caridade, em virtude da qual o cristão renuncia a tudo o que impede de tender à perfeição evangélica.”

A caminhada quaresmal conduz-nos a renovar a vida cristã, que no fundo é uma busca de recolocar-nos no caminho da santidade, atitude que deve ser constante, mas que recebe um incremento especial neste tempo favorável. “O aspecto mais sublime da dignidade humana consiste em sua vocação para a comunhão com Deus. Desde o seu nascimento o homem é convidado ao diálogo com Deus.” (GS 19)

É nesse contexto que a Igreja propõe como um dos seus mandamentos “Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja” (CIC 2043), contribuindo para nos ajudar a preparar para as festas litúrgicas e a adquirir domínio sobre nossos instintos e a liberdade de coração.

A Igreja convida-nos, durante o tempo da Quaresma e depois também todas as sextas-feiras do ano (em memória da Sexta-feira Santa) a termos momentos fortes de prática penitencial.

O Diretório Litúrgico da Igreja no Brasil (Anotações 3.5) resume a questão do Jejum e Abstinência lembrando que estão obrigados à abstinência os maiores de quatorze anos de idade e ao jejum os que estão entre os dezoito e os sessenta anos. E ainda aí nos recorda: dias de penitência são todas as sextas-feiras do ano, que pode ser com abstinência de carne ou outro alimento, ou ainda alguma outra forma, como obra de caridade ou exercício de piedade.

Dias de Jejum e Abstinência são apenas a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa. E também aqui “a abstinência pode ser substituída pelos próprios fiéis por outra prática de penitência, caridade ou piedade, particularmente pela participação nesses dias na Sagrada Liturgia.”

Parece muito pouco o que a Igreja nos pede para tão grandes resultados, mas a intenção é que, dentro de uma orientação bastante aberta, possamos andar no caminho sincero de conversão, como aliás é o espírito dessa norma, pois lembra, à luz dos documentos, que mesmo os que não estão sujeitos a essas práticas, sejam formados no sentido genuíno da vida em conversão.

Quando a cada ano retorna aqui em Belém a questão do preço do pescado e acusando a prática da abstinência como responsável, podemos claramente ver, nesse espírito, que as razões do alto preço devem ser encontradas em outras situações.

Se realmente todos levássemos a sério a vida penitencial nessa caminhada de conversão, ainda assim não seria o pescado a solução para a abstinência ou jejum como se convencionou, pois o espírito da norma não é de substituição mas sim de busca de uma maior abertura para o Senhor nessa caminhada para a Páscoa da Ressurreição.

Portanto, com relação à notícia veiculada sobre essa questão, gostaria que esta reflexão ajudasse todas as pessoas a compreenderem as manchetes e colocações feitas dentro desse espírito quaresmal de penitência e conversão.

Dom Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano

Via-Sacra - Com Maria, caminhamos para a Páscoa

Via-Sacra - Com Maria, caminhamos para a Páscoa



Durante os dias da quaresma, um dos exercícios espirituais mais usados é a oração da Via-Sacra. Como o nome já diz, Via-Sacra é o caminho sagrado. Caminho que Nosso Senhor Jesus Cristo percorreu, perseverante no amor do Pai, acompanhado por sua Mãe, e que culminou na gloriosa ressurreição.

As estações da Via-Sacra representam as várias situações de nossa vida, mantendo sempre o alerta para o nosso destino eterno, pois, nossa vida é uma caminhada para Deus.

Desde o nascimento, até a hora que Deus nos chamar para a eternidade, nós vamos percorrendo os caminhos de nossa vida, junto com Nossa Senhora, seguindo os passos de seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, rumo ao coração de Deus.

Jesus nos mostra o caminho da salvação e nos convida a segui-lo: "Quem quiser vir após mim, deixe de lado seus próprios interesses, tome a sua cruz, cada dia, e siga-me" (Mt 16,24).

O convite que nos é feito para deixar de lado nossos próprios interesses é para que possamos fazer da vontade de Deus a nossa vontade, deixando que o Espírito de Deus conduza a nossa vida, como conduziu a vida de Maria, de Jesus e de todos os seus discípulos, de ontem e de hoje.

Maria ouviu a Palavra de Deus, fez da vontade de Deus a sua vontade, caminhou com seu filho pelas estradas do mundo e agora está junto dele no céu, no eterno convívio da Santíssima Trindade.

A Via-Sacra também nos leva a contemplar a caminhada da humanidade pêlos caminhos do sofrimento, da dor e, acima de tudo, da esperança. Tudo nos leva a contemplar a presença de Deus e de nossa mãe, nas diversas situações de nossa vida.

Como mãe carinhosa, Nossa Senhora não está apenas esperando por nós lá no céu; ela se faz companheira de caminhada, amparando os que estão fracos, socorrendo os necessitados, protegendo os que estão ameaçados, caminhando conosco, cada dia de nossa vida.

Quando rezamos a Via-Sacra, poderemos sentir a presença de Deus que nos conduz com o seu amor e a sua proteção. E renovados pela confiança que brota em nosso coração ao sentirmos a presença amorosa de Maria Santíssima, que caminha conosco para a Páscoa definitiva, poderemos retornar para o dia-a-dia de nossas vidas, com uma disposição maior para vivermos a fé e trabalharmos com mais alegria pela construção do Reino de Deus que já manifesta, entre nós, os seus sinais.

Pe. Vicente André de Oliveira, C.Ss.R.